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OS CAMINHOS PARA O FUTURO - COLABORAÇÃO COM A FOLHA DE SÃO PAULO

  • 23 de out. de 2025
  • 4 min de leitura


Fui convidada a participar de uma reportagem da Folha de São Paulo, o jornal de maior circulação do país, em uma edição especial intitulada “Os Caminhos para o Futuro”, dedicada a refletir sobre inovação, comportamento e os novos rumos da sociedade. Falar sobre o futuro da moda, nesse contexto, foi mais do que uma honra. Foi um momento de reconhecimento e também de reafirmação dos valores que norteiam meu trabalho desde o início.


A reportagem, assinada pelo Estúdio Folha, abordava o tema “Tecnologia, respeito e cooperação tecem a moda do futuro”, e reunia vozes que acreditam em um novo modelo para o setor: mais responsável, consciente e colaborativo. Quando recebi o convite, percebi que era uma oportunidade de colocar em palavras algo que sempre busquei expressar por meio das minhas pesquisas e projetos, a ideia de que a moda não é apenas estética, mas também ética, social e ambiental.


Na entrevista, compartilhei minha visão sobre os três pilares que considero essenciais para a reconstrução do sistema da moda: tecnologia, sustentabilidade e cooperação.


Esses pilares representam não apenas tendências, mas mudanças profundas na forma como criamos, produzimos e nos relacionamos com as roupas e com o planeta. Acredito que a tecnologia, quando usada de forma consciente, pode ser uma grande aliada da sustentabilidade. Ela nos permite desenvolver materiais mais inteligentes, processos menos poluentes e soluções que ampliam a durabilidade e a funcionalidade das peças.


Comentei na matéria, por exemplo, o crescimento do uso de acabamentos especiais, conhecidos como status fresh, que reduzem a necessidade de lavagem constante e evitam que o tecido absorva odores. Esse tipo de inovação, aparentemente simples, traz um impacto ambiental significativo: economiza água, energia e reduz a emissão de poluentes. São avanços silenciosos, mas poderosos, que apontam para um novo modo de pensar o vestuário, mais conectado à ciência, ao bem-estar e à responsabilidade com o planeta.


Outro ponto essencial que destaquei foi o consumo consciente. Não se trata apenas de comprar menos, mas de comprar melhor. De escolher peças que durem, que contem uma história, que tragam em si um propósito. O consumo consciente é uma forma de resistência a um sistema que nos ensina a desejar o efêmero. É também uma forma de devolver significado à moda.


Acredito que essa nova consciência já está transformando o comportamento das pessoas. Cada vez mais, vejo um interesse genuíno por produtos que expressem valores, e não apenas tendências. Isso reforça a importância da individualidade e da autenticidade como caminhos criativos. A moda do futuro não será padronizada, será plural, diversa e aberta a múltiplas formas de expressão.


Durante a entrevista, também falei sobre o fortalecimento da colaboração e da produção local. Sempre acreditei que a cooperação é uma força transformadora. Trabalhar com pequenas empresas, artesãos e profissionais locais cria uma rede de saberes e afetos que enriquece o processo criativo. A colaboração nos ensina que ninguém faz nada sozinho, e que cada etapa da cadeia da moda,da fibra ao design, da costura à comunicação, tem um valor que precisa ser reconhecido e respeitado.


“O mundo caminha para as parcerias, em que cada um faz o que sabe fazer melhor.”


Essa foi uma das frases que apareceram na reportagem e que, para mim, sintetizam o espírito do que acredito ser o novo paradigma da moda contemporânea.

Não se trata mais de competir, mas de somar. De unir expertises, dividir conhecimento, construir coletivamente. A cooperação é o que nos permitirá criar um sistema mais ético, transparente e sustentável.


Ver essas ideias impressas nas páginas da Folha de São Paulo foi um momento de grande alegria. Não apenas pelo reconhecimento profissional, mas pelo que simboliza: a abertura de um espaço de diálogo sobre um futuro possível e urgente para a moda.


Acredito profundamente que estamos vivendo uma reconstrução do sistema da moda. Um processo lento, mas inevitável, que surge da necessidade de alinhar propósito, estética e responsabilidade.


Essa transformação passa por repensar tudo: os materiais, as cadeias produtivas, a comunicação e o próprio ritmo do consumo. Mas também exige um novo olhar sobre o papel dos criadores e das marcas. É tempo de criar com consciência, de desenhar com empatia, de produzir com ética.


Quando olho para trás, percebo que esse momento na Folha marcou o início de uma nova etapa no meu trabalho, uma etapa em que comecei a traduzir com mais clareza a minha missão: ajudar marcas e profissionais criativos a se reconectarem com sua essência e a expressarem seus valores por meio das cores, dos materiais e das narrativas que escolhem construir.


Acredito que a moda do futuro não será feita apenas de tendências, mas de propósitos. Será uma moda que respeita o tempo das pessoas e o tempo da natureza. Uma moda que nasce da curiosidade, da pesquisa, da experimentação, mas também do cuidado, da escuta e da colaboração.


Hoje, quando releio essa matéria, continuo sentindo o mesmo entusiasmo de 2021.

Ver o meu nome em um dos maiores jornais do país foi emocionante, mas mais do que isso, foi um lembrete de que estamos todos participando de uma mudança coletiva, que vai muito além da roupa.


Estamos aprendendo a tecer um novo tecido social, mais consciente e interconectado.


E é isso que me move até hoje: contribuir para essa transição, inspirando novas formas de criar, ensinar e viver a moda, uma moda que olha para o futuro com responsabilidade e poesia.

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